sexta-feira, 7 de outubro de 2011

ARMA INTELIGENTE - Policial testa chip que não permite que outra pessoa use sua arma

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Um teste pioneiro que começa a ser feito no próximo mês em Minas pretende reduzir as ocorrências de acidentes com armas envolvendo, principalmente, crianças e adolescentes. Desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP), o chip que só permite ao dono disparar o armamento será implantado no corpo de um policial civil mineiro. Os testes serão feitos por iniciativa do escrivão Gabriel Vidigal, que aceitou implantar o equipamento criado pelo físico Mário Gazziro, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC) da USP.

O aparelho, um pouco maior que um grão de arroz, será implantado a partir de uma pequena cirurgia. Na arma usada pelo policial - uma pistola modelo 889 - será colocado um receptor que recolhe os dados e impede que a trava de segurança seja liberada caso outra pessoa tente fazer os disparos. O equipamento tem o número de identificação e conta ainda com uma bobina e um dispositivo que proporciona a conferência das informações contidas no chip através do sistema de radiofrequência.

Esse é o primeiro teste do tipo do Brasil. "É algo tão simples que não sei como ninguém teve essa ideia antes", brincou o físico, que também implantou um chip na mão, em agosto do ano passado, um mês depois do início da pesquisa. Os testes, feitos com uma arma de brinquedo, garantiram 100% de precisão, de acordo com Gazziro. "A eletrônica usada no projeto é a mesma de sistemas de aviões. É impossível a arma funcionar acionada por alguém que não tenha o chip implantado".

O objetivo do invento, segundo o professor, não é ganhar dinheiro e, sim, reduzir os riscos de que pessoas inabilitadas façam uso de armas. No Brasil, dados do Ministério da Saúde, de 2008, mostraram que acidentes com armas de fogo mataram 36 crianças naquele ano. Outros 271 menores foram hospitalizados pelo mesmo motivo. No último dia 22, um garoto de 10 anos atirou contra a própria cabeça depois de balear uma professora numa escola pública de São Caetano do Sul (SP). A arma usada pelo menino era do pai dele, um guarda civil. A professora sobreviveu.

Na pesquisa, o físico Mário Gazziro contou com acompanhamento médico que definiu o local e a maneira corretos de instalar o chip, sem risco de rejeição. O aparelho será colocado logo abaixo do dedo mínimo, com uso de anestesia local. "É um local sem veia e com gorduras. O chip é introduzido por meio de uma injeção. Ele vem esterilizado dentro de uma agulha".

Inspiração. A ideia de criar o chip teve como inspiração o filme "Distrito 9", um roteiro de ficção científica em que armas usadas por alienígenas não funcionavam nas mãos de humano. "Vi o filme com alunos e pedi a eles que tentássemos fazer o mesmo numa pistola comum, usando tecnologia de identificação por radiofrequência".

1) Professor Mário Gazziro, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC/USP), que desenvolveu o projeto 
2) Radiografia que exibe local onde o chip é instalado, abaixo do dedo mínimo 
3) O chip é um pouco maior que um grão de arroz
4) Protótipo de pistola que dispara somente na mão do dono, com dispositivo e bobina

No varejo, kit deverá custar até R$ 250

O objetivo do professor Mário Gazziro é montar kits do experimento e firmar parcerias com a indústria de armamento. "Queremos lançar um site, em fevereiro, para divulgar o projeto, definir o procedimento cirúrgico ideal e lançar a ideia sem patente nem royaltes". Segundo o pesquisador, no varejo o kit deve atingir o valor máximo de R$ 250.

No entanto, o uso do chip ainda é restrito ao ambiente científico. Gazziro conta com apoio do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para a fase posterior de testes oficiais, e também da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar o implante em seres humanos, o que ainda não é permitido no Brasil.

Entrevista com Mário Gazziro
"Meu objetivo é apenas social"

Qual a intenção do senhor em desenvolver esse projeto que permite que armas de fogo sejam acionadas apenas por seus donos?
Meu objetivo é apenas social: reduzir o número de acidentes com armas envolvendo crianças e adolescentes. Se isso acontecer, meu retorno já está garantido.

Como foi possível viabilizar a construção desse chip?
Eu já trabalhei no desenvolvimento de chips para animais silvestres. E o uso de chips em humanos é autorizado nos Estados Unidos. Lá, algumas pessoas usam chips para abrir a porta de casa e ligar o computador.

O chip será comercializado?
Sim, o chip e os componentes necessários ao funcionamento completo do circuito.

E qual será o preço médio?
Acredito que varie entre R$ 100 e R$ 250. Mas não vou ganhar nada com isso, pois cedi o projeto para domínio público. Publiquei num congresso na Espanha e quero apenas diminuir a violência.

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Saiba Mais

Disparo. No futuro, a invenção também pretende identificar o momento exato do disparo.<

Em Minas. Sobre a possibilidade de policiais usarem o chip, a Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informaram que não comentam pesquisas em andamento. O uso do dispositivo em policiais depende de lei.

Nos EUA. O uso de chips similares é liberado nos Estados Unidos desde 2004.

Fonte: O Tempo

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